segunda-feira, 24 de março de 2014

Tese do MEL ao XIV Congresso do SEPE-RJ


CONJUNTURA

1.      Conjuntura Internacional
Uma Reação dos Trabalhadores em todo Mundo aos ataques do Imperialismo!

Vivemos uma nova situação política mundial. A conjuntura internacional atual é marcada pela combinação entre: 1) a profunda crise econômica mundial do capitalismo; 2) as respostas burguesas à crise com a guerra social contra os trabalhadores; 3) a ofensiva de lutas dos trabalhadores, com ápice na Europa, no Norte da África e Oriente Médio, e uma crescente na América Latina, com centro no Brasil pós-junho de 2013.
O marco fundamental da conjuntura internacional é, porém, a crise econômica mundial do capitalismo. É para reverter esta crise (queda das taxas de lucro) que a burguesia determinou um aumento geral da exploração do trabalho, grandes ataques e retirada dos direitos trabalhistas e sociais. Isso aprofundou o machismo, racismo, homofobia, xenofobia, perseguição religiosa.
A crise de superprodução que se expressou com força na economia estadunidense em 2008 atravessou o Atlântico, chegando à Europa, outro centro da economia mundial capitalista. A população passou a ser severamente assolada pelo desemprego. Os Estados Burgueses europeus passaram a drenar todos os impostos para salvar os Bancos, tendo que, para isso, destruir a estrutura do chamado “Estado de bem estar social”. Os países mais frágeis economicamente foram arrasados: Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Islândia. Para estes a política dos imperialismos mais poderosos (EUA, Alemanha, Inglaterra, França) é de rebaixamento nos seus status no sistema mundial de Estados, rumo à colonização. Porém, até mesmo países importantes, como a Itália e, em menor medida, a França, foram duramente afetados.
A coordenação imperialista chamada Troika (União Europeia + Banco Central Europeu + FMI), comandada por EUA e Alemanha, passam a aplicar as “políticas de austeridade”. Estas políticas significam uma verdadeira guerra social da burguesia contra os trabalhadores. O cenário é dramático. Demissões e desemprego estrutural, inclusive nos serviços públicos. Na Espanha e na Grécia o desemprego atinge 54% da população em geral, ao longo de 2013, e em particular na juventude se eleva a quase 70%. O desemprego em massa repassa a conta da crise para os trabalhadores. Outra política, neoliberal, é o desmonte do chamado “Estado de bem estar social”, com revisões, ataques e fim de direitos trabalhistas (seguros-desemprego, estabilidades no emprego, etc.) e sociais (Previdência, Saúde, Educação, Cultura, etc.), com o objetivo de sanar os déficits orçamentários agravados pelos planos de salvamento dos Bancos e grandes empresas.  Os direitos sociais, além de rebaixados, estão sob mira da privatização direta como mais uma política para gerar novos “mercados” e, assim, lucros.  A política para os servidores públicos é de “terra arrasada”: retirada de direitos, flexibilização de contratos, meritocracia com avaliações externas e bonificações por produtividade/resultados, fim da estabilidade e demissões! É um processo de dimensão histórica: a crise é profunda e a política da contrarrevolução burguesa é aumentar radicalmente a exploração e as opressões, em níveis nunca vistos. Não há espaço para concessões. Por analogia sociológica, vemos uma verdadeira “latino-americanização” da Europa e, daí, só se pode prever a barbárie para as periferias como América Latina, África e Ásia.
Os índices de violência contra as mulheres alcançam níveis monumentais. O racismo, a homofobia e a xenofobia avançam de maneira atroz. A burguesia precisa dividir os trabalhadores e afogá-los na cultura contrarrevolucionária em que as ideologias opressivas se expressam.
Perante a tal processo, a reação dos trabalhadores é de dimensões revolucionárias. Em várias partes do mundo, mobilizações eclodem em consequência dos ataques. A Europa, o Norte da África e Oriente Médio são os centros da situação revolucionária mundial. Em Portugal, 80% da população são contra o cumprimento dos acordos com a Troika. Na Espanha, milhares tomaram as ruas e praças em protestos contra o desemprego, os ataques aos direitos, em apoio à greve histórica dos mineiros. As greves gerais são uma constante, alcançando um ápice histórico que não se via há anos: greves gerais, greves nacionais e protestos simultâneos em diversos países. Uma greve geral europeia é possível. Nos EUA vimos movimentos importantes como o Ocupa Wall Street e uma nova camada de vanguarda de lutadores; greves de professores e trabalhadores precários em vários estados.
Simultaneamente às greves e mobilizações na Europa, ocorrem processos revolucionários no Mundo Árabe-Islâmico: Norte da África e Oriente Médio. Revoluções políticas democráticas triunfantes na Tunísia, Egito, Líbia. A revolução democrática em curso como guerra civil na Síria, contra a ditadura sanguinária de Assad. Segue a resistência palestina e iraquiana. No Iraque, os EUA estão politicamente derrotados. Grandes mobilizações no Iêmen e Bahrein. A luta por liberdades democráticas e melhores condições de vida no Norte da África e Oriente Médio derrubaram governos e seguem buscando caminhos para a construção de sociedades mais justas.
A luta contra as opressões também se agiganta: as mobilizações de massas de mulheres e homens na Índia, contra a onda de estupros no país; as greves operárias na África do Sul, marcadamente contra a exploração e sua face racista; os grandes movimentos que vêm conquistando direitos para os LGBT’s na Europa, em especial na França.
Mesmo nos EUA, vimos movimentos importantes como o Ocupa Wall Street e uma nova camada de vanguarda de lutadores; greves de professores e trabalhadores precários em vários estados.
Rompeu-se a estabilidade política e econômica dos países do centro do capitalismo. A intensificação de todas as crises – econômica, política, ambiental – são parte desta nova situação política. E esta quebra de estabilidade começa a atingir fortemente a América Latina (com lutas, greves gerais, as mobilizações), demonstrando a tendência de abertura de uma situação revolucionária nas periferias do capitalismo, onde as políticas de exploração e opressões são de níveis incontáveis.
A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Diante deste novo cenário, é necessário que os trabalhadores fortaleçam as suas organizações. Precisamos construir um Sindicato de luta, de base, independente de Governos e capitalistas, articulado com os movimentos populares, da juventude e de luta contra as opressões.
É necessário fortalecer a unidade para lutar. Neste sentido, o SEPE-RJ deve se unir ao sindicalismo combativo, democrático, independente e internacionalista, e defender:
·         FORA AS TROPAS BRASILEIRAS DO HAITI!
·         TODO APOIO À REVOLUÇÃO SÍRIA!
·         TODO APOIO ÀS LUTAS DOS TRABALHADORES NA EUROPA E EM TODO O MUNDO!
·         O SEPE DEVE INTEGRAR A REDE INTERNACIONAL DO SINDICALISMO ALTERNATIVO!

2.      Conjuntura Nacional
No Brasil os Trabalhadores afirmam: Na Copa vai ter Luta!

           O ano de 2013 foi histórico para as trabalhadoras e trabalhadores de todo país.  As passeatas de junho/julho de 2013 levaram milhões às ruas. O aumento do preço das passagens e as péssimas condições dos transportes foi o estopim das mobilizações, mas logo ficou claro que a luta não era apenas por 20 centavos.
Com a inflação crescente, os escândalos de corrupção, o desvio de verbas públicas para os megaeventos, a precarização dos empregos, o caos da saúde, educação e moradia, a população começou a questionar o regime, os governos e várias instituições.
O crescimento da economia dos últimos 10 anos não alterou a situação caótica de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Ao contrário, piorou. Isso tem relação direta com a aplicação dos planos neoliberais no país, resultando na diminuição dos investimentos em serviços públicos.
A sensação de “bem estar” criada a partir da ampliação do poder de consumo foi abalada. Esse “bem estar” foi o resultado da incorporação de uma leva importante de trabalhadoras e trabalhadores no mercado devido ao crescimento econômico. Programas sociais compensatórios, como o “Bolsa Família”, também incorporaram setores pauperizados ao mercado. Tudo isso foi alavancado com a ampliação do crédito, que aumentou quase 700% em 10 anos, levando endividamento a grande parte da população. Segundo o Banco Central, em setembro de 2013, a dívida total das famílias equivalia a 45,31% da renda acumulada nos últimos 12 meses. Em 10 anos do governo PT, houve arrocho salarial entre os setores mais especializados da classe trabalhadora, face ao crescimento do trabalho precário e mal remunerado.
Pressionados pela base, CUT e Força Sindical foram obrigadas a participar dos dias nacionais de lutas em 11 de julho e 30 de agosto. Porém, continuam aliados ao governo, defendendo todas as políticas de ataque aos trabalhadores.
Os Governos de plantão no Brasil, em especial o de Dilma Rousseff, estão comprometidos até a medula com os interesses das classes dominantes, a burguesia, em nível internacional. O Governo do PT não governa para os trabalhadores. O PT Governa para os empresários internacionais e nacionais. Dilma está comprometida com as contrarreformas neoliberais, como esteve Lula em seus dois mandatos.
Mesmo com as mobilizações de junho, este comprometimento não retrocedeu. Pelo contrário, no contexto da crise econômica mundial, Dilma continua atendendo aos interesses do imperialismo em sua busca por lucros. O PIB do ano passado ficou em cerca de 2,2%. Algo bem distante dos 7,5% de 2010. No terceiro trimestre de 2013, houve a primeira retração econômica desde o início de 2009, logo após a crise global. A indústria nacional está se retraindo enquanto não param de crescer os hectares destinados ao plantio de soja, tornando o país refém das commodities alimentícias.
Para manter os especuladores, Dilma aumentou a taxa de juros seis vezes seguidas, fazendo o país voltar a ter a maior taxa de juros do mundo. As constantes isenções fiscais concedidas aos empresários reduzem os fundos de Estados e Municípios. A crise social se alastra e afunda o povo na miséria, sem saneamento básico, transporte de qualidade, saúde e educação.  A previsão orçamentária de 2014 destina apenas 3,44% do orçamento para educação e 3,91% para a saúde, menos ainda para transportes, cultura, combate ao machismo, racismo e homofobia. Os bancos e grandes empresas batem recordes de lucratividade. O Bradesco, segundo maior banco privado do país registrou lucro contábil de 3,079 bilhões de reais no último trimestre do ano. Como se não bastasse, o governo ampliou as isenções fiscais às montadoras, destinando de 2008 até agora 12,3 bilhões de reais através da renúncia do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados).  Enquanto isso 42,42% irá pagar juros e amortizações dos juros da dívida interna e externa. Ou seja, verba pública para o capital financeiro.
Somam-se a este cenário as inúmeras privatizações: aeroportos, estradas e portos foram entregues a iniciativa privada. E, nunca antes na história desse país, ocorreu uma privatização como a do Campo de Libra. Um campo que abriga uma reserva de petróleo avaliada em 3 trilhões de dólares foi entregue para multinacionais, como a Shell, por 15 bilhões de dólares. Esse dinheiro servirá somente para garantir o superávit primário, ou seja, enriquecerá ainda mais os donos do capital enquanto que a população amargará com a miséria.
Durante o Leilão, foi utilizado o Exército, a Força de Segurança Nacional e até a Marinha, para reprimir violentamente os trabalhadores que se manifestavam contra esta privatização. O Governo do PT também enfrentou, nesse processo, uma greve nacional dos petroleiros, que só ocorreu porque a base da categoria se rebelou contra a direção cutista.
Em 2014, os ataques se aprofundam. O caos da saúde pública, da educação, do transporte caro e superlotado aumentam. Os “rolezinhos” em shoppings mostraram a falta de espaço de lazer e cultura para a juventude da periferia, duramente reprimida pela polícia. Com a desculpa da Copa, os governos vêm proporcionando uma verdadeira contrarreforma urbana com o aprofundamento das desigualdades sócio-espaciais, empurrando a população pobre para guetos, criminalização da pobreza e os movimentos sociais.
Diante da possibilidade concreta de uma nova onda de protestos, o governo tenta preservar sua imagem e garantir a reeleição de Dilma. É bom lembrar que as jornadas de junho fizeram a presidente perder 20% de sua popularidade em apenas 15 dias. De lá para cá, Dilma recuperou parcialmente sua popularidade. Conta hoje com 47% de aprovação, face aos 65% que tinha antes dos protestos. Por isso o governo já demonstrou que pretende reagir as manifestações utilizando duas táticas: a da cooptação direta, auxiliada pelas pelegas CUT, FS e UNE e, através da repressão direta, mesmo que isso signifique reeditar leis da ditadura, como a Lei de Segurança Nacional. Não é à toa que leis que impeçam manifestações durante a Copa e que acabam com o direito à greve já estão sendo elaboradas.
O governo do PT está patrocinando uma nova lei que define como terrorismo qualquer ação que possa causar “pânico”. Isso se soma aos processos e enquadramento na Lei de Segurança Nacional de ativistas das mobilizações de 2013. Essa lei volta a ser aplicada 50 anos depois do Golpe Militar.  Isso demonstra o caráter repressivo não só dos governos, mas do parlamento e da justiça dos ricos.
Nos estados, a situação política e social não é muito diferente. Todos os Governos, da direita clássica ou da base do Governo Federal do PT, aplicam os mesmos projetos de privatização, ajuste fiscal, ataques a direitos, os desmandos relacionados à Copa e a violenta repressão contra as lutas.
 Porém, essa situação não significa uma derrota para trabalhadoras e trabalhadores. As jornadas de junho trouxeram lições importantes. A maior delas é de que só a luta muda a vida.
Neste cenário, temos um grande desafio pela frente. Nós, profissionais de educação, que construímos ano passado a maior greve da nossa história, sendo exemplo para todo país, precisamos ocupar novamente as ruas, trazendo conosco a juventude e outros trabalhadores e trabalhadoras.
O atrelamento da CUT, CNTE e outras organizações do movimento aos governos torna esta tarefa muito difícil. Mas nós, podemos reverter esta situação. Para organizar uma luta nacional precisamos fortalecer um instrumento que unifique a juventude, os trabalhadores da cidade e do campo, os movimentos populares, os movimentos sociais e os movimentos contra às opressões. Este instrumento é a Central Sindical e Popular CONLUTAS (CSP-CONLUTAS). Temos que ser os protagonistas desta história, filiando nosso sindicato à CSP-CONLUTAS.
·         FORA CABRAL, VÀ COM PAES e demais Prefeitos!
·         SEPE INDEPENDENTE DE QUALQUER GOVERNO!

3.      Conjuntura do Estado do Rio de Janeiro

O Último Congresso do SEPE aconteceu em 2011. Naquele momento, Cabral entrava no primeiro ano de seu segundo mandato, e teve a “popularidade” abalada com a “onda vermelha” que invadiu o Rio de Janeiro, com a histórica greve dos bombeiros. A educação também fez uma longa greve, aprofundando ainda mais o desgaste do governo estadual.
Sergio Cabral foi reeleito no primeiro turno com alto índice de aprovação junto à população graças à sua política de segurança para as comunidades carentes. As UPA’s (Unidade de Pronto Atendimento Médico), as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e as obras do PAC que, em parceria com o governo Lula, rendeu dividendos nas urnas. Todas estas políticas serviram para enganar a população, arrochar os salários dos servidores, desviarem recursos públicos para empreiteiras e bancos e produzir um dos maiores superávits primário do país.  Cabral usou estas verbas para pagar as dívidas públicas junto as multinacionais e se reeleger.
Sua política tem como marca registrada o fascismo.  Sua pretensa política de segurança não passa de uma limpeza étnica que prepara o Estado para os megaeventos. Desta forma sua obsessão é com a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.  Para isso legitima uma Polícia Militar truculenta e assassina. Seu governo, incapaz de fornecer melhores condições de salário e trabalho para os servidores da segurança pública, incentiva à violência, o abuso de poder e a corrupção policial.
Seu mandato foi marcado por uma cachoeira de escândalos. Corrupção, guardanapos na cabeça, contratos ilícitos, desrespeito à Aldeia Maracanã, remoções que representaram uma verdadeira faxina étnico-social, caos na saúde com o fracasso das UPA’s. Até as UPP’s, carro-chefe de seu programa eleitoral demonstraram seu caráter fascista. O caso do desaparecimento de Amarildo colocou a mostra o verdadeiro caráter das UPP’s. Uma grande parcela da população que apoiava a UPP como política de segurança pública, percebeu que as unidades pacificadoras não pacificavam. Apenas criminalizavam a pobreza. Hoje a luta pelo fim da PM é uma bandeira defendida por centenas de trabalhadores.
Na Educação, o projeto meritocrático do Plano de Metas, responsabilizando o profissional pelo fracasso escolar, retirando a autonomia pedagógica com a implementação do currículo mínimo, quebrando a paridade, desviando as verbas públicas para setores privados e mantendo os salários dos servidores arrochados.
Para garantir o sucesso de seus planos, Cabral elaborou toda uma política para ter maior controle sobre os diretores de escolas, tentando transformá-los em gerentes de produção, com metas e prazos na administração de recursos, obtenção de “rápidos resultados pedagógicos” e um severo controle ideológico sobre os educadores.
Para programar sua política de superávit primário, seguindo a cartilha neoliberal, terceirizou diversas funções inerentes a cargos públicos. Extingui os funcionários das escolas.
Cabral foi blindado pelo governo federal e a aliança PT/PMDB, mas o “FORA CABRAL” tomou conta das ruas de todo o Estado e do país. Diante da pressão dos trabalhadores, irá renunciar ao governo estadual para se candidatar a um cargo parlamentar nas próximas eleições. E o cenário mais provável é que seu vice, Pezão, não seja reeleito. Por isso várias pré-candidaturas de partidos da base aliada ao governo foram lançadas, demonstrando a crise de governabilidade.

4.      Conjuntura do Município do Rio

O primeiro mandato de Paes foi um reflexo da política nacional e estadual. Utilizando-se do crescimento econômico, dos grandes investimentos ampliados pelos megaeventos, do enriquecimento de banqueiros e empresários, dos acordos com o Banco Mundial, de vários programas sociais com cunho assistencialista, da propaganda constante de “transformar” a cidade, Paes ampliou sua popularidade nas massas.
Em 2011, quando Cabral se afundava em escândalos e a “onda vermelha” cobria o Rio de Janeiro, Paes se desvinculava do governador. Enquanto Cabral demitia bombeiros, Paes tornava a Guarda Municipal estatutária.
Diante deste cenário, Paes foi reeleito no primeiro turno com 64,60% dos votos válidos. A maior concentração de votação ocorreu nas áreas mais pauperizadas da cidade. Na Câmara dos Vereadores, onde já tinha maioria, o governo ficou praticamente hegemônico.
Mas os problemas se aprofundaram. Mesmo com as “Clínicas da Família”, a saúde do Rio de Janeiro é uma das mais precarizadas do país, além de ser gerida por OS’s. A qualidade do transporte é péssima e o valor das tarifas, uma das mais caras do país. Comunidades são removidas e a depredação ambiental legitimada. Um novo modelo de cidade vem sendo construído, uma cidade do capital, privatizada, a exemplo do que ocorre na Zona Portuária. A cessão da administração pública para a iniciativa privada aumenta, assim como verbas públicas vão para banqueiros e empresários.
A Prefeitura continua batendo recordes na arrecadação. Em 2014, a previsão de aumento da receita corrente líquida é de 9,77%, o que significa bilhões a mais para o governo. O investimento no Desporto e Lazer aumentou em 628,97%. Na saúde reduziu em 5,24%.
Na Educação, os ataques de Paes transformaram escolas e creches em verdadeiras fábricas de números fictícios. Sua secretaria de educação, Claudia Constin, foi a precursora das Parcerias Público Privadas em SP, quando foi da Secretaria Estadual de Cultura e uma das principais figuras da Reforma Administrativa de FHC.
A política educacional do prefeito segue as diretrizes do Banco Mundial: meritocracia, precarização, desvio de verba pública para a iniciativa privada, fim da autonomia pedagógica, imposição de metodologias tecnicistas, exploração do trabalho dos funcionários, assédio moral.
E foram os profissionais de educação, que após 19 anos sem realizar uma greve que acabaram com o projeto do PMDB/PT de governar a cidade até 2024. A greve histórica, que contou com mais de 80% de adesão, superou a questão do “aumento de salário”. Colocou em cheque a política educacional de Paes e ganhou o apoio da população. Nas ruas todos cantavam “Fora Cabral e Eduardo Paes”.
Ao fim da greve, pesquisa Data Folha indicava que Paes tinha 67% de rejeição. Ou seja, o prefeito agora amarga o mesmo desprestígio de Cabral.

5.      2013 foi um ano de lutas que não terminaram! 2014 deve ser maior!

Os Profissionais de Educação protagonizaram greves em vários municípios do Estado: Belford Roxo, Petrópolis, Valença, Duque de Caxias, Nova Friburgo, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Vassouras, Cabo Frio, etc. E houve mobilizações importantes em Macaé, Campos, Itaguaí, etc.
Em todas estas cidades a luta foi contra Prefeitos que atacam o direito dos trabalhadores e retiram das crianças e da juventude o direito à educação pública, gratuita, laica e de qualidade.
Por isso, mais que uma bandeira, a unificação das lutas é fundamental para a Educação. Sozinhos não conseguiremos derrotar os planos destes governos. Precisamos ganhar a disputa ideológica e trazer para o nosso lado toda a comunidade escolar. Somente com a unidade e luta de todos os trabalhadores conquistaremos vitórias.

6.      Políticas Educacionais
A privatização está destruindo a Educação Pública dos Trabalhadores!

            A realidade da Educação Pública está cada vez mais difícil em todo o mundo. A política geral da burguesia para a Educação dos Trabalhadores é de privatização e destruição. Educação de qualidade nunca foi uma pauta da burguesia. Na época das revoluções que levaram a burguesia ao poder na Europa (séculos XVII ao XIX), a pauta em relação à Educação se limitava a torná-la pública e laica, para combater o poder da Igreja. Foi o movimento operário que transformou o direito à Educação Pública de qualidade para todos/as em uma Pauta internacional. A luta revolucionária dos trabalhadores do século XIX até hoje foi o que obrigou a burguesia a fazer concessões, principalmente nos países centrais do capitalismo: a montagem de sistemas públicos de ensino com acesso relativamente democrático e com relativo padrão de qualidade. A Revolução Russa e o Estado Operário Soviético, que ampliou em escalas inimagináveis o acesso à educação, exercia forte pressão para tornar possível esta medida do Estado de Bem Estar Social europeu.
Porém, para países coloniais e semicoloniais como o Brasil, a burguesia nunca chegou a montar tais sistemas públicos de ensino como o europeu. No chamado Terceiro Mundo o analfabetismo, a exclusão, a miséria educacional e cultural sempre foram as condições de vida a serem mantidas para garantir os lucros da burguesia imperialista. Somente com duríssimas lutas e com a pressão da alternativa “socialista” que algumas concessões foram feitas, e mesmo assim muito limitadas. No Brasil foi preciso a gigantesca luta dos trabalhadores que provocou a queda da ditadura, nos anos 70 e 80, para que a Educação Pública se tornasse direito dos filhos e filhas dos trabalhadores. O acesso se ampliou, porém o custo imposto pela burguesia foi a ruína da qualidade da Escola Pública.
Com o neoliberalismo e a queda do chamado “Socialismo Real”, a burguesia em nível mundial se sentiu livre para começar a retirar todas as concessões feitas. Já nos anos 80 começava a implantação do neoliberalismo na Educação nos Estados Unidos, que levou o sistema educacional estadunidense à ruína: os Estados Unidos são o país mais rico do mundo, porém é 26° lugar no ranking internacional de qualidade na Educação. E recentemente, com a crise econômica, a destruição da Educação Pública se intensifica em todo mundo. A piora na Educação está ligada com o rebaixamento mundial na qualidade de vida dos trabalhadores. A orientação dos órgãos burgueses mundiais, ONU, UNESCO, FMI, Banco Mundial, TROIKA, é atacar os direitos sociais: a Educação é um deles.
O Brasil é parte dessa realidade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) recém-divulgada pelo IBGE, o país ainda tem 3 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos fora da escola e mais de 13 milhões de analfabetos e o alarmante número de 27,8 milhões de analfabetos funcionais. Quando o tema é ensino superior, apenas 12% da população brasileira tem nível superior. O Brasil, que hoje é a 7º economia mundial está em antepenúltimo lugar no ranking da OCDE (Organização Continental para o Desenvolvimento da Educação) em matéria educacional o que lança o país a 84º lugar no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Essa situação condena milhões de estudantes brasileiros a não aprenderam a ler, escrever, contar e nega o acesso à arte, cultura e impede uma melhora de vida. Esse é o resultado mais cruel da continuidade da aplicação de uma política educacional sustentada no tripé da meritocracia, privatização e precarização, tratando a educação como uma mercadoria e não como um direito social.
O governo Lula e agora Dilma, desenvolve sua política educacional apoiada no Plano de Desenvolvimento da Educação, lançada em 2007 e que segundo o próprio governo, o principal foco do PDE é a Educação Básica e dá ênfase a formação e valorização docente, ao financiamento e à garantia de acesso e tem como base legal a lei nº 6094/07.  Nessa lei se estabelece entre as metas que a valorização do trabalhador em educação se dará por mérito, “representado pelo desempenho eficiente no trabalho, dedicação, assiduidade, pontualidade, responsabilidade, realização de projetos e trabalhos especializados, cursos de atualização e desenvolvimento profissional”, além de “dar consequência ao período probatório, tornando o professor efetivo estável após avaliação, de preferência externo ao sistema educacional local”. Essa lógica meritocrática visa a culpabilização dos profissionais em educação pela crise que vive a escola pública. Todos sabem que não existe solução para milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza pela via do mérito, assim como não há saída para a escola pública por essa via. Como escreve Renato dos Santos Souza só pode defender a meritocracia “a menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa.” A meritocracia serve para “apreciações individuais e não sociais.” No Estado de São Paulo, o governo do PSDB, chegou ao cúmulo de impor uma evolução salarial aos professores/as vinculada a nota de uma prova e em Minas Gerais existe um abono de produtividade baseado no IDEB.
Caminhando junto à meritocracia, há um profundo processo de privatização do ensino em nosso país. Quando há alguns anos privatizar significava a escola ter um dono e cobrar mensalidade agora se construiu métodos eficazes de transferência de verbas públicas às redes privadas. A maior expressão disso é o PROUNI que despeja milhões de reais das verbas públicas para as faculdades/universidades privadas e é justamente as verbas que faltam para uma expansão com qualidade das universidades públicas. É possível que cada vaga comprada na rede privada seja aberta na rede pública. O PRONATEC segue a mesma lógica de transferência de verbas as escolas privadas além dos projetos como o ensino médio integral ou inovador que se apoia em oficinas feitas por bancos e ONG´s, que recebem muito em transferência direta de verbas públicas ou através de isenção fiscal. Coroando esta política educacional neoliberal temos uma ampliação da precarização do trabalho educacional, através de vários instrumentos: intensificação do trabalho, regimes de trabalho precários (contratos), etc.
Passados cinco anos da criação da Lei do Piso Nacional a regra é que os estados e municípios não cumprem a lei de forma integral ou parcial. Apesar de o Piso Nacional aprovado ser muito inferior as reais necessidades do magistério, muitos estados e municípios seguem não cumprindo a Lei e o governo federal/MEC não move uma palha para isso. É uma vergonha o desrespeito destes governantes à educação, mas também é vergonhoso a CNTE ter aprovado no CNE em 2012 a redução do piso, sem discutir nos estados uma proposta semelhante, abandonando na prática a defesa do custo aluno.
Quanto à aplicação da jornada de trabalho e garantia de no mínimo 1/3 ser de atividades extraclasse, aí que a situação é ainda pior. Para não aplicar a lei, vários estados e municípios tem alterado a jornada de trabalho para legalizar a ilegalidade de não cumpri a lei. Em São Paulo, por exemplo, o estado (governado por Alckmin-PSDB) publicou uma resolução sustentando que a hora/aula é de 60 minutos e por isso 32 aulas de 50minutos equivale a 27 aulas de 60 minutos, portanto já aplica a lei. Essa barbaridade de aumentar a jornada de trabalho para não aplicar a lei também se vê na maioria dos estados e municípios desse país.
Foi aprovado pelo congresso nacional o valor de 10% do PIB para a educação. Nota-se que essa aprovação não garante que o dinheiro investido vá para a educação pública, pois as metas do PNE reafirmam a necessidade dos programas educacionais privatistas, como o PROUNI e o PRONATEC além da política de escola integral ser apoiada em oficinas privadas. Para elevar o valor destinado à educação, após as manifestações de junho, o congresso aprovou que 75% dos royalties do petróleo vão para educação e 50% do fundo social do Pré-Sal. Muita propaganda e pouca efetividade, pois em 2013 os royalties representam 0,2% do PIB e em 2021, auge da exploração do Pré-Sal esse valor pode atingir 0,6% do PIB, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida. Ao mesmo tempo, o orçamento da união para 2014 prevê mais de 1 trilhão de reais para pagamentos de juros e amortizações das dívidas (44% do orçamento) e apenas 3,14% para a educação.
É neste contexto geral que se enquadra a Educação no Rio de Janeiro. Os projetos em curso nas Redes Públicas não se diferenciam a não ser no grau. Na Rede Estadual o que vemos é a meritocracia, via Plano de Metas e seus instrumentos (Conexão Educação, SAERJ, bonificações e Certificação) destruindo as condições de trabalho, a autonomia pedagógica e o Plano de Carreira; a privatização é explícita, como evidencia o Projeto Autonomia, o Novo EJA, dentre outros. No Município do Rio a realidade é a mesma, com o Rio 3.0, a avaliação externa, os cadernos pedagógicos, a ingerência de OS’s, e o próprio novo Plano de Carreira adequado à meritocracia. E o projeto neoliberal se expande pelas demais Redes Municipais: Planos de Carreira que não valorizam estão sob a mira da meritocracia; os péssimos salários e condições de trabalho; a ingerência das OS’s; o não cumprimento sequer da Lei do Piso, muito menos do 1/3 de Planejamento (aliás, não cumprido também na Rede Estadual e Municipal do Rio). Um capítulo à parte do projeto neoliberal é a intensificação do autoritarismo nas Escolas: a maior parte das Redes não elege diretamente as Direções de Escolas, ou estão perdendo esse direito conquistado na luta.
            Com as greves de 2013 vimos o barril de pólvora que, em função da destruição e privatização, se tornaram as Escolas. A Educação é uma pauta da luta e da revolução dos trabalhadores. Por isso, é tarefa do SEPE-RJ intensificar as lutas em defesa da Escola Pública e ser um instrumento de luta capaz de aglutinar a categoria na discussão e luta por outro projeto de Educação: pública, gratuita, de qualidade, laica e a serviço dos trabalhadores. Uma educação libertadora. Esta luta não é só dos Profissionais da Educação, mas sem eles com certeza ela não avançará muito. Ao mesmo tempo, somente com a transformação do conjunto da sociedade é que transformaremos a fundo a Educação.

7.      Unificar as lutas em 2014 e 2015 – Filiar o SEPE à CSP-Conlutas!

            Os vários ataques à Educação Pública são uma política da burguesia a nível internacional e nacional. E são ataques de tamanha gravidade que apenas a luta dos Profissionais da Educação, isolada, não será capaz de deter. As greves de 2013 foram uma prova cabal disso: além da massividade, foi a unidade das greves com o apoio dos trabalhadores em geral que fortaleceu nossa luta. Outros exemplos vêm do mundo. Na Europa a política de destruição da Educação se expressa, dentre outros ataques, na demissão massiva de servidores. Na França, em setembro de 2011, foi necessária uma greve geral para deter a demissão de centenas de Professores das Universidades. Não foi uma luta isolada da categoria: envolveram associações estudantis, outros sindicatos e movimentos, as centrais sindicais. Processos semelhantes ocorreram na Espanha (em 2012) e Portugal (em 2013). Para combater esses planos de cortes de gastos públicos para beneficiar os banqueiros, a unificação das lutas de trabalhadores tem sido a principal arma. Compreender a realidade internacional e nacional, conhecer as experiências dos outros setores de trabalhadores, é fundamental. Na América latina vimos a luta do povo chileno contra a privatização da educação. No México segue a batalha contra certificação. No Haiti as escolas e hospitais foram privatizados, e o padrão de vida dos trabalhadores é de intensa miséria.
            Está havendo uma preparação do Brasil para essa realidade. Devemos também preparar a luta contra esses planos. Vai ser muito difícil profissionais de educação combaterem sozinhos e de forma espontânea a destruição da escola pública. É necessário organizar o SEPE RJ ao lado dos demais trabalhadores. É necessário filiação a uma central não governista. Que o Congresso do SEPE aprove a filiação do SEPE à CSP-CONLUTAS. A CSP-CONLUTAS é uma central sindical e popular que possui como estratégia a construção de uma sociedade socialista. Tem uma Coordenação que se reúne periodicamente com regime de revogabilidade de mandatos. Organiza o movimento sindical, popular, estudantil e de luta contra as opressões (machismo, racismo e homofobia). Todos viram a repercussão que teve a luta contra os despejos dos moradores de Pinheirinhos em 2012, e da ocupação Willian Rosa em 2013. Em 2014 acontecerá o próximo Congresso da Central. É uma central sindical que se opõe a todos os governos de plantão. Apoia todas as lutas dos trabalhadores no Brasil e no mundo. Tem cumprido um papel de vanguarda na luta contra retirada de direitos (Reforma trabalhista, ACE, REFORMA SINDICAL E TRABALHISTA). Chamou vários encontros com Centrais sindicais não governistas de vários países. Não é uma Central Sindical fantasma: tem organizado Congressos, investe na formação de sua militância com cursos, palestras etc.). Durante a nossa greve, o ANDES-SN (Sindicato dos Professores do Ensino Superior), a Federação Metalúrgica de Minas Gerais e outros Sindicatos da CSP-Conlutas atenderam ao chamado do SEPE para apoiar e ceder dinheiro para a nossa greve. É uma central que tem investido no debate contra a burocratização dos Sindicatos, contra o afastamento dos dirigentes da base. Prega a democracia operária, fim da censura no movimento com livre debate das diferentes posições políticas. São os fóruns do movimento, principalmente os fóruns de base, que dão a última palavra: Assembleias, Conselho de Representantes, Congressos. As entidades filiadas à CSP-Conlutas levam a sério o debate contra o machismo, racismo e homofobia. Condena a prática da calúnia, mentira, agressão física em detrimento do debate político no movimento. Essas são práticas burguesas e dos ditadores capitalistas de plantão.
            É importante manter o chamado a unificação de todos os processos de reorganização (Intersindical, Unidos pra Lutar, etc.) por fora do governo e da CUT e das demais centrais traidoras. A CUT e a CNTE não servem mais para unificar as lutas da educação e da classe. Por isso o SEPE-RJ deve impulsionar em nível nacional, um movimento de reorganização da educação básica, por dentro e por fora da CNTE, em oposição à CNTE governista.

8.      Balanço da Direção do SEPE-RJ

            A gestão desta Direção iniciada em 2012 está aquém da necessidade dos Trabalhadores de Educação do Rio de Janeiro. É necessária uma avaliação rigorosa desse desempenho a fim de que os erros cometidos não se repitam e interfiram nas lutas do próximo período.  Para isso, é preciso discernir as diferenças de concepções existentes no SEPE.
            O Sindicato é o nosso mais privilegiado meio de organização; as lutas da categoria são nosso motor básico e a direção deveria ser o comando dessa engrenagem. É para ela que o Sindicato existe. E é para ela que a direção deve orientar sua prática.
            Mas, infelizmente, a maioria da Direção se preocupa mais com a disputa do aparato do que com a organização das lutas. Infelizmente, precisamos constatar que a maioria da direção do SEPE não está na base, por isso não reflete os anseios da categoria e, não forma uma nova direção. Os encaminhamentos aprovados que potencializam as lutas da categoria, não só durante as greves, mas no dia a dia, não são respeitados. Assim, prevalece a prática do hegemonismo.
            Um sensível e grave problema que persegue a maioria dessa Direção é a incapacidade de elaborar propostas políticas para os vários segmentos da categoria. A unificação desses setores reunidos no SEPE (funcionários das escolas, animadores culturais, professores, supervisores, orientadores, aposentados, e até terceirizados) é um patrimônio que poucos Sindicatos nacionalmente conseguiram construir. Tal mérito, entretanto, não tem se refletido em políticas traçadas pela Direção para os setores unificadamente, deixando por conta das Secretarias ou de algum@ diretor@ quase individualmente, a tarefa de dar conta do “seu” segmento. Muitas vezes é preciso enorme pressão, para impor sobre a maioria da Direção que esta assuma sua tarefa.
            Há várias questões pendentes que a maioria da Direção não consegue produzir políticas, como a situação dos Docentes II, o fenômeno da terceirização em nossas escolas, os agentes de creches no Rio e a própria política para as redes municipais, com ou sem SEPE. Sem falar da demora nas respostas às questões urgentes impostas pelos Governos, como as últimas resoluções de fim de ano, as imposições de reposição de conteúdos em janeiro, as remoções, o autoritarismo e assédio moral. Tanto no Estado quanto nas Redes Municipais, a maioria da Direção do Sindicato não se envolveu, nem acompanhou os desmandos dos Governos, deixando a categoria à mercê.
            A comunicação com a categoria tem sido uma das maiores reclamações, seja por meio do site ou material impresso. Falta correspondência regular, especialmente para aposentad@s; as notícias do site são desatualizadas ou incompletas; não há periodicidade do Jornal Conselho de Classe; e há uma nefasta desarticulação no interior da Secretaria de Imprensa do Sindicato.
            O burocratismo atinge o sindicato. A base não se sente representada. A hostilidade demonstrada por alguns diretores na condução das reuniões ou assembleias é inaceitável em qualquer situação. É preciso lembrar que nossos métodos devem estar a serviço de uma política que garanta as lutas e a construção de uma nova sociedade. Por isso, é preciso que a categoria ocupe o Sindicato, impondo uma prática coerente com os princípios da classe trabalhadora: combater a burocratização que emperra avanços políticos, impedir a concentração de poder e decisão nas mãos de um ou alguns diretor@s, intervir nas votações através da participação nas instâncias, coibir os feudos nos Núcleos e Regionais.
            Uma parte dos que assinam esta tese fazem parte da Direção do Sindicato. Uma minoria que se opõe à burocracia da Maioria. Apesar de todas as críticas que temos a Maioria, não abandonaremos a categoria a mercê dos ataques dos governos. Orgulhamos-nos de estar na linha de frente de todas as lutas. Não compartilhamos da ideologia do quanto pior, melhor. Temos responsabilidade e acreditamos que somente com a democratização do sindicato, o trabalho de base, o combate à burocratização, poderemos mudar os rumos da direção do SEPE.
            Em 2013, ocorreram muitas greves e lutas em várias redes municipais: Niterói, Valença, Petrópolis, São Gonçalo, Volta Redonda, Belford Roxo, Mesquita, Vassouras, Nova Friburgo, Itaboraí. As greves da Rede Estadual e da Rede Municipal do Rio de Janeiro entraram para história. Porém, lamentavelmente, uma série de erros cometidos pela Maioria da Direção levou uma grande parcela da categoria a não confiar no seu Sindicato. O principal erro foi a não unificação das greves, levando o isolamento das lutas. A maioria da Direção não politizou o debate, levando muitos a confiarem plenamente na Justiça Burguesa. A ida ao Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de uma ação jurídica do SEPE, demonstrou a projeção nacional que a greve obteve. Provou também o desgaste dos governos Cabral e Paes. Evidentemente o ministro Luiz Fux não estava ao lado dos trabalhadores. Estava ao lado dos Governos. O acordo não contemplou as reivindicações da categoria, mais impediu retaliações mais graves para os colegas já com número de processos de exoneração na Rede Estadual e a tentativa na Rede Municipal. Cabe lembrar que em greves da Educação como a do Amapá, vários trabalhadores têm até hoje inquéritos e tiveram seus salários cortados. A judicialização das lutas será mais um ataque que enfrentaremos neste próximo período. Este debate deve ser um dos importantes pontos das discussões de nosso Congresso. Não poderemos admitir a criminalização das lutas.
A vitória mais importante destas greves foi o fato da categoria ter erguido a cabeça e entendido que só a luta muda a vida. Em 2014 é fundamental investir na unificação das lutas, respeitando-se as especificidades de cada Rede. Para isso é preciso menos arrogância e mais comprometimento com a base dessa categoria, de modo a aglutinar mais forças na luta contra o nocivo modelo de escola e educação que não apostam na saber crítico e libertador que nosso povo trabalhador tanto merece.
Hoje o SEPE-RJ se tornou uma referência de resistência para os colegas de muitos estados e municípios brasileiros, dada à força de nossas greves. Mas, ainda hoje, a maioria da direção hesita em assumir esse papel protagonista de direção nacional em defesa de bandeiras educacionais, salariais e políticas. A filiação do SEPE à CSP-CONLUTAS mudará a relação de forças da educação nacional. Poderemos construir um movimento nacional que de fato unifique os trabalhadores da educação contra os ataques dos Governos. Um movimento que construa uma alternativa à CNTE, da qual nos desfilamos e continuamos a defender a manutenção dessa desfiliação. Por isso, defendemos o Encontro Nacional de Educadores, em agosto de 2013, convocado pelo ANDES, ANEL, CSP-CONLUTAS e SINASEFE. Neste Congresso, temos que aprovar que o SEPE se some na construção deste Encontro.

9.      Plano de Lutas

            O XIV Congresso do SEPE-RJ deve aprovar uma política de busca permanente para a construção do calendário nacional e estadual de lutas com as demais entidades dos movimentos sociais. Esta unidade deve estar a serviço de fortalecer a luta dos trabalhadores contra os ataques dos patrões e governos aos direitos conquistados. Esta unidade deve fortalecer a luta por mais emprego, melhores salários, pela reforma urbana, pela reforma agrária, pela redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução salarial, pelo fim da demissão imotivada, pelo fim do fator previdenciário, pelos 10% para educação pública, por 06% do PIB para a saúde pública, por um transporte público com passe livre para estudantes, idosos e desempregados. Para a construção destes calendários devemos propor a criação de comitês e organismos de unidade de ação que encaminhem e fortaleçam as lutas dos movimentos sindical, popular e estudantil.
            Precisamos lutar por:
·         10% do PIB para a educação pública já.
·         Defesa da escola pública, gratuita, laica e de qualidade.
·         Contra a meritocracia. Em defesa da autonomia pedagógica.
·         Campanha estadual pela eleição de direções diretas para direção de unidades escolares em todas as redes.
·         Não as avaliações externas.
·         Fim das parcerias público-privada na educação.
·         Pela valorização dos profissionais de educação.
·         Luta pelo piso de 5 salários mínimos para professor e três e meio para funcionários.
·         Concurso público para professores e funcionários.
·         Não à terceirização.
·         Restabelecer o monopólio estatal do petróleo, sob controle dos trabalhadores, por uma Petrobras 100% estatal, pelo fim da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pela anulação de todos os contratos de risco, fim dos leilões e anulação dos realizados até agora.
·         Estatização de todo o sistema de ensino nacional, pelo fim das escolas particulares, e implantação de uma ampla reforma na educação que possibilite a criação de uma escola de qualidade para os trabalhadores, do maternal ao ensino superior, além da pós-graduação com acesso universal.
·         Pela autodeterminação, soberania dos povos e democracia para as massas trabalhadoras.
·         Contra as guerras promovidas pelo capitalismo e os imperialistas.
·         Contra a ocupação do Haiti, imposta pelos interesses imperialistas norte-americanos, disfarçada em missão da ONU.
·         Pelo desenvolvimento do internacionalismo proletário e solidariedade às lutas revolucionárias dos povos do mundo contra o imperialismo.
·         Contra a criminalização dos movimentos sociais.

1.  Estatuto do SEPE-RJ

·         Artigo 4 – Inclusão no quadro de sócios do Sepe Assistentes Sociais e Psicólogos, desde que sua lotação seja nas Secretarias de Educação.
·         Artigo 16 – (nova redação) O CEO (Congresso Ordinário do Sepe) reunir-se-á de dois em dois anos. No intervalo entre um Congresso e outro se reunirá Conferência de Educação do Sepe
·         Artigo 35 - Parágrafo 2 (nova redação) – Além dos três primeiros conselheiros, cada Conselho de Representantes terá direito de indicar um representante a mais para cada 10 (dez) ou fração superior a 05 (cinco) escolas organizadas no Conselho;
·         Artigo 40 (nova redação) – Retomar a Secretaria de Organização com 02 (dois) membros; Secretaria do Interior com 07 (sete) membros e Secretaria de Cultura, Formação sindical e Assuntos Educacionais com 03 (três) membros.
·         Artigo 58 (nova redação) - Parágrafo 1 – A diretoria dos núcleos e regionais da Capital será composta por, no mínimo, 01 diretor a cada 20 escolas da sua base local como membros efetivos, e, no máximo 48 membros. Os núcleos e regionais da Capital que tiverem menos de 100 escolas na sua base territorial deverão ser composta por 05 membros no mínimo e no máximo 48;
            Parágrafo 2 – Só poderão ser candidatar aos núcleos e regionais da Capital aqueles que             comprovarem vínculos com a base territorial da Regional/Núcleo (local de trabalho com         contracheque ou local de moradia com endereço);
·         Artigo 61 – (nova redação) Cada unidade escolar elegerá representantes, obedecendo à seguinte proporção:
            I- A unidade escolar com até 30 (trinta) servidores elegerá um representante;
            II – as unidades escolares com mais de 30 (trinta) servidores elegem um representante para cada      30 (trinta) ou fração superior a 15 (quinze) servidores
·         Artigo 63 – manutenção
·         Artigo 64 – (nova redação)
            III – o diretor reeleito por dois mandatos consecutivos. Este item se aplica somente a Diretoria Estadual do SEPE.
·         Artigo 82 (nova redação) – A relação dos diretores licenciados e sua carga horária deverão ser apresentadas a categoria na primeira assembleia após as eleições do Sepe; assim como qualquer mudança na relação de liberados;
            (Nova redação) – Os diretores só poderão permanecer licenciados no máximo dois mandatos em sua carga horária total; este item não se aplica aos Diretores que possuam outro vínculo na unidade escolar.

11.  Assinam esta Tese:

            Regional I
1.    Alex Trentino
2.    Leandro Ribeiro
3.    Luiz Alberto Penha
4.    Ana Carolina
5.    Patrícia Mafra
6.    Pedro Borges
7.    Gustavo Silva
8.    Thiago Hastenreitter
9.    Haroldo Teixeira
10.    João de Souza
11.    Cecília Monteiro
12.    Mariana Carrera
13.    Leandro Santos
14.    Sérgio Balassiano
15.    Wânia Balassiano

            Regional II

16.    André
17.    Márcia Macedo
18.    Etienne
19.    Tânia

            Regional III
20.    Alex Gonçalves
21.    Gualberto Tinoco “Pitéu”
22.    Luis Fernando de Carvalho
23.    Almir Fernandes
24.    Márcia Alves
25.    Antônio Carlos Chagas
26.    Maria Grauhen M. Lima
27.    Maria José Andrade
28.    Maria Sayonnara de Almeida
29.    Denise Baroni
30.    Denise Pôncio
31.    Myrian V. de Oliveira
32.    Edna Felix
33.    Eliane Ramos
34.    Elina Maria
35.    Renan Moraes
36.    Taisa Ferraz
37.    Jorge Luis Duarte
38.    Katia Amorim

            Regional IV
39.    Susana Gutierrez
40.    Samantha Guedes
41.    Fernando
42.    Maria Inez
43.    Marli Senra
44.    Gelian Moreira
45.    Valesca Jacob
46.    Maristela Abreu
47.    Miguel Malheiros
48.    Dayse Perez

            Regional V
49.    Marcos Tavares
50.    Maria da Conceição
51.    Jorge Duda

            Regional VI
52.    Maria Senna Moreira

            Regional VIII
53.    Vera Nepomuceno
54.    Leandro Carneiro
55.    Mara Regina de Andrade
56.    Márcio Magalhães
57.    Vanuza Baptista
58.    Marcos Netto
59.    Marcos Pestana
60.    Rodrigo Kelly

            Niterói
61.    Diogo de Oliveira
62.    Danielle Bornia
63.    Andréa Peçanha
64.    Elma Souza Teixeira
65.    Eliane Peçanha
66.    Mônica Gonçalves
67.    Sérgio Perdigão
68.    Kelly Perrout
69.    Adriana Lima
70.    Ana Paula Mattos
71.    Thayssa Menezes
72.    Gleicimar Gonçalves
73.    Marta Maia
74.    Maria Martinha Mendonça
75.    Helida Gmeiner
76.    Rejane Machado
77.    Sonara Costa (Fora de Rede)
78.    Danielle Sampaio (Fora de Rede)

            São Gonçalo
79.    Dayse Oliveira
80.    Herlon Siqueira
81.    José Manuel Faria
82.    Roberto Baeta
83.    Ana Maria Quintanilha
84.    Rejany Oliveira

            Belford Roxo
85.    Maria José Rodrigues (Zezé)
86.    Ana Maria Cunha da Cruz
87.    Verônica
88.    Geni
89.    Edmundo
90.    Tânia dos Santos
91.    Daiane Calixto
92.    Elenice Medeiros
93.    Felipe Amorim

            Macaé
94.    Sabrina Luz
95.    Juliano Soares
96.    Alexandre Elias
97.    Ânderson Cunha e Rocha
98.    Tânia Graniço
99.    Jussara Celestino
100.                        Ione Carvalho (Fora de Rede)

            Rio das Ostras
101.                        Jacqueline Rodrigues
102.                        Jaqueline Trindade

            Volta Redonda
103.                        Danilo Ramos
104.                        Diva Ferreira
105.                        Isabel Fraga
106.                        Erlon Couto
107.                        Julio Ribeiro
108.                        Niede Conceição

            Duque de Caxias
109.                        Beth Estaneck Paixão (Aposentada)
110.                        Washington Willians da Silva
111.                        Florinda Lombardi
112.                        Sérgio Gonçalves
113.                        Sérgio Ramos
114.                        Rosângela Vargas
115.                        Francisca Cilda Sales
116.                        Marcelo Loreto

            Campos dos Goytacazes
117.                        Joaílda Corrêa

            Teresópolis
118.                        Rosângela de Castro

            Itaboraí
119.                        Camila Coutinho
120.                        Luisa Rosati

            Barra Mansa
121.                        Maria Conceição
122.                        Paulo Souza
123.                        Pedro Maximiliano
124.                        Roberto Miani

            Nova Friburgo

125.                        Luiz Salarini